terça-feira, 21 de abril de 2020

OPINIÃO: como são as medidas preventivas na prática em Coreaú?


Antes de qualquer coisa que possa ser escrita é preciso elogiar os profissionais de saúde de Coreaú que estão atendendo a população nessa Pandemia, usando os recursos que estão disponíveis, eles conseguem prestar assistência do melhor modo possível. A crítica, aqui exposta, não é dirigida aos funcionários, aos empregados, mas ao empregador, ao administrador de todos os recursos destinados para combater essa Pandemia.

Se uma pessoa que não reside em Coreaú perguntar sobre as medidas preventivas à disseminação do novo coronavírus a melhor relação que explica tais medidas é: a medidas tomadas pela administração pública é como maquiagem para um ensaio fotográfico. Em algum momento, prepara-se alguns equipamentos, movimenta alguns profissionais, tira várias fotos, publica as fotos nas redes sociais e pronto, não existe continuidade nem amplitude nas medidas. Logo após o governador Camilo Santana publicar o decreto definindo as regras para o isolamento social (digamos assim para simplificar a compreensão do leitor) o prefeito publicou um decreto municipal corroborando o decreto estadual, no entanto, a fiscalização para o cumprimento desses decretos não aconteceu de forma imediata, e quando houve, foi apenas durante períodos esporádicos. Foram colocadas barreiras no centro comercial de Coreaú, impediu a passagem dos veículos, mas as pessoas podiam estacionar próximo as barreiras e andar até os comércios que estavam funcionando, que por sinal, eram quase todos.

No início da quarentena, foram feitas barreiras sanitárias nos acessos à cidade, parceria com as forças policiais e os profissionais de saúde, medida excelente! Infelizmente durou apenas um dia. Quando o segundo caso de covid-19 foi confirmado no município, foi anunciado que esse caso era da Rua do Cemitério, um bairro aconchegante, onde os vizinhos tem grande convivência, sendo muito comum visitas, sentarem na calçada pra conversar, costumes de regiões pacatas, o anuncio foi feito no dia 18 de abril, imaginava-se que essa confirmação implicaria numa movimentação semelhante a que ocorreu para um caso suspeito, na zona rural, onde saiu uma comitiva de quase dez carros da sede do município em direção a localidade que residia o suspeito, mas não ocorreu, apenas na segunda feira, dia 20 de abril, a população foi convidada a submeter-se a triagem num posto de atendimento improvisado numa escola, nesse mesmo dia foram colocadas barreiras nos acessos à Rua do Cemitério, as barreiras estavam lá, mas as pessoas podiam sair da rua do cemitério em direção ao Centro. Então, para que colocaram barreiras? Adivinhem! No dia seguinte, não tinha mais barreiras nos acessos àquela rua, e os casos dispararam no bairro.

Analisando as situações citadas e outras que não citei, é como se o vírus e as ações preventivas agissem de maneira combinada, para acontecerem ao mesmo tempo. Seguindo essa lógica, as pessoas da zona rural só se deslocariam para a cidade no dia das barreiras sanitárias, os vírus só ficavam no centro comercial, local onde foi feito desinfecção, as pessoas da rua do cemitério iam ficar paradas de sábado até segunda-feira e só iriam se movimentar depois de serem submetidas à triagem...

Medidas preventivas sem continuidade aparentam uma maquiagem colocada num rosto para embelezar durante um ensaio fotográfico.

Por Jair Felismino, professor. 


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