terça-feira, 28 de abril de 2020

OPINIÃO: prevenção não pode se transformar em discriminação


Junto com a confirmação dos casos de Covid-19 chegou, em Coreaú, um problema social: a discriminação. E assim como as variáveis dela: a racial, de gênero, de renda, de opção sexual, essa não tem explicação, é possível elencar vários possíveis motivos, mas não tem justificativa.

Acompanhamos nas redes sociais uma “fiscalização” exagerada com as pessoas que moram nas proximidades da rua do cemitério (local que se identificou a maioria dos casos da doença), se alguém daquela região estivesse em qualquer lugar da cidade as pessoas tiravam foto e começava o embate nas redes sociais, mais precisamente nos grupos de WhatsApp, ou seja, residir naquela região era sinônimo de estar infectado. Nessa pandemia, os estabelecimentos comerciais estão trabalhando, em sua maioria, com entregas domiciliares, no entanto, alguns estabelecimentos negaram fazer entrega naquela rua. 

Esse distanciamento preconceituoso não atingiu somente as pessoas da rua do Cemitério, com o avanço dos casos na cidade e a expansão geográfica desses casos, familiares e amigos de pessoas infectadas do Covid19 são alvos fáceis, o assunto circula em toda a cidade, que vê se afasta, as acusações são inúmeras... É como se a maioria da população desejasse que infectados, seus familiares, seus amigos e seus vizinhos ficassem numa prisão de segurança máxima. 

É necessário que haja prevenção, não estou afirmando que não precisa ser cuidadoso, que não temos que nos preocupar com as pessoas que estão no grupo de risco, temos que nos prevenir! Infelizmente, nos casos descritos a prevenção deixou de ser prevenção e passou a ser discriminação.

Que a população coreauense perceba esse mal social em seus comportamentos e mude de atitude!

Por Jair Felismino, professor. 


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